quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Defensores da acupuntura tradicional chinesa afirmam que resultados terapêuticos dependem dos aspectos ritualístico e do efeito placebo


Tao Liu (Traditional Chinese Medicine Department, The 2nd Teaching Hospital, Jilin University, 218 Ziqiang Street, Changchun 130041, Jilin Province, P.R. China), defende no seu artigo “Acupuncture: What Underlies Needle Administration?” publicado em eCAM 2009; 6(2)185–193, que Acupuntura é mesmo placebo, e que assim deve ser assumida pelos profissionais.
Tudo para manter a Acupuntura sob domínio étnico-cultural e político.
Trechos comentados:
  • To better understand acupuncture, we have to turn to its traditional Chinese medicine (TCM) theory origin.
Na verdade, para melhor compreender a Acupuntura é preciso considerar os diversos processos neurobiológicos envolvidos nos efeitos terapêuticos.
  • Acupuncture is a treatment modality of TCM that developed a different conceptual and theoretical basis to that of modern western medicine (1,2).
As bases teóricas e conceituais da medicina tradicional chinesa não resistem a uma apreciação isenta. A anatomia é imaginada, a fisiologia é produto de uma indução que parte de uma peculiar representação do mundo. Para preencher a falta de noção da existência do sistema nervoso, criou-se um sistema de canais percorridos por uma energia vital – os chamados meridianos – metáfora que parte de uma modelagem matemática, resultante do arranjo proporcionado pelo logaritmo de 3 na base 2 (Yang e Yin).
  • TCM focuses on the inseparability and unity of the mind and the body, mental and emotional factors being inextricably linked with physical processes in maintaining health and precipitating illness (3).
Afirmação falsa. Em todas as épocas e civilizações foi percebida a interação mente-corpo, mas as explicações de que se dispõe hoje para essa “unidade” ou interatividade eram inacessíveis até recentemente.
Na medicina tradicional chinesa, os aspectos psíquicos (espírito, alma) são segmentados, e cada modalidade tem sede num dos órgãos internos, deles se separando com a morte, sendo, portanto, entidades separadas, temporariamente reunidas. Segundo a teoria as doenças podem afetar o espírito ou o corpo separadamente.
  • Without this basic consideration, any appropriate approach to investigating the mode of action of acupuncture can by no means be made.

Como considerar o modo de ação da acupuntura sem passar pelas respostas neurais à estimulação?
  • In terms of nature of administration, acupuncture is an invasive, painful, and ritually and technically sophisticated intervention. Prior studies suggest that invasive, uncomfortable, and painful interventions tended to enhance placebo responding (18,39), and that individuals are more likely to demonstrate a placebo effect when they are feeling anxious than when they are not feeling anxious (45,46). Here, consistent with a prior behavioral study (7), it is suggested that this invasiveness/anxiety-placebo relationship is due to that invasiveness induced fear and anxiety enhances treatment effects through heightening somatic focus (highly focused and spatially directed attention in the case of acupuncture).
Quer dizer, o autor afirma que sem o efeito-placebo o agulhamento é inútil. A intervenção é dolorosa e desconfortável, mas sobretudo ritualística, do seu ponto de vista.
Desconsidera as fibras nervosas na periferia corporal, e nem imagina que a intervenção possa ser não-dolorosa, quando se selecionam receptores não-nociceptivos.
  • When the majority of RCTs of acupuncture fails to show effects beyond a placebo response, acupuncture has been dismissed as nothing more than placebo (17). But if acupuncture is a pure placebo and perceived effects of acupuncture are mere a placebo response with needle insertion playing no role at all, we have to face the question of how clinic provision of acupuncture can produce such a powerful placebo effect and why acupuncture is provided in such a sophisticated manner.
Neurophysiological and neuroimaging studies on eCAM 2009;6(2) 191 acupuncture will promise to cast direct light on the neurobiological mechanisms that are involved in acupuncture, and beyond acupuncture, the mechanisms of complex placebo phenomenon, not only for pain but also for other conditions.
Enquanto o comprometimento com a MTC não permite o entendimento de que acupuntura seja um conjunto de métodos de estimulação e modulação neural, despreza-se a quantidade de evidências da neurobiologia desses métodos. A razão disso é que ao admitir as bases anatômicas e fisiológicas, esses métodos terapêuticos deixariam de ser patrimônio étnico para se universalizar.

domingo, 22 de novembro de 2009

Mudança de paradigmas e a forma da estrutura de poder



A mudança de paradigmas científicos não depende da superioridade das novas formas de entendimento e novas técnicas sobre as formas tradicionais, tanto em termos de compreensibilidade, transmissibilidade e reprodutibilidade, quanto em termos de proporcionar o desenvolvimento de novas tecnologias muito mais precisas, objetivas e eficazes do que as antigas.
Normalmente, quando são demonstradas vantagens significativas do uso de novas práticas, técnicas e tecnologias, estas tendem a ser adotadas cada vez mais amplamente. Mas quando as mudanças paradigmáticas envolvem mentalidades, ideologias, dogmas, crenças, então o tempo e o modo de se concretizarem é diferente, principalmente quando estão em jogo interesses de pessoas e grupos de pessoas que visam preservar uma estrutura piramidal e coerciva de poder.
O progresso e as melhorias permanecem secundários às estruturas conectivas estabelecidas pelos detentores do Saber Oficial. Essas relações interpessoais têm uma forma geométrica rígida – a de uma pirâmide, da qual o vértice abriga o poder supremo, e cujas arestas sustentadas diretamente por essa emanação coercitiva, garantem a estabilidade e a rigidez do conteúdo.
O conteúdo, composto por pessoas submetidas a milênios de estruturação idêntica – como nas famílias, nos feudos, nas escolas, nas empresas, e nas nações, e que tiveram essas memórias reforçadas por treinamento presente, perde liberdade. As pessoas se tornam incapazes de exercer criatividade, de se tornarem empreendedores, o que traria benefícios coletivos.

Conceber o futuro
O futuro do ambiente das organizações está na descentralização, no abandono do modelo piramidal, permitindo a manifestação do empreendedorismo endógeno.
O novo modelo de organização, que perde a rigidez da forma geométrica definida se assemelha mais aos sistemas de computação em nuvem, em que as hierarquias são imprecisas, e não há um poder central, mas sim um comitê gestor que é antes facilitador do que repressor. Assim, encorajam-se opções e inovações e o senso de oportunidade; favorece-se o empreendedorismo, cuja base é a concepção do futuro.
Distribuir informação e proporcionar o debate livre e incentivar ações que ampliam horizontes são essenciais para a adaptabilidade e logo para a evolução.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Reflexão Sobre a Evolução da Acupuntura

Recontextualização


O trabalho científico começa
quando o significado das palavras e dos conceitos
é circunscrito com precisão.
Gaston Bachelard

A Acupuntura, até 50 anos atrás, era uma cura exótica, muito em voga no auge da belle époque. Na época, certos círculos cultivavam o gosto – típico do Romantismo, movimento expressivo da modernidade, pelo místico, misterioso, espiritual e “do além”. O impressionismo, a chinoisérie, tinham, como ecoam muitos círculos ainda hoje, vínculos com uma nova Weltanschaung (visão do mundo), que a modernidade exigia.

A atração pelo Oriente mágico, de raízes antigas, se relaciona com a longa presença dos Califados na Península Ibérica. A proximidade posterior do Império Turco-Otomano, que impressionava a Europa, reforçou os laços, que logo se converteram em presença física maciça de contingentes europeus no Extremo Oriente – todos os países da Europa ocidental acabaram invadindo, literalmente, a China.

Nos seus inícios, a prática da Acupuntura no Ocidente foi marcada, em muitos casos, por um traço esotérico e/ou místico. Entretanto, na atualidade, são exigidos outros padrões de explicações e de evidências da eficácia de qualquer método terapêutico.

O modelo da Medicina Baseada em Evidências não representou uma ameaça para a Acupuntura, mas sim um reforço da validade e da certeza da sua aplicabilidade em muitas condições clínicas.
Algumas questões, entretanto, ainda estão por ser mais bem respondidas. As pesquisas clínicas, as investigações sobre as mudanças bioquímicas produzidas sob efeito da Acupuntura consolidam a Acupuntura como Ciência12.

Mas ainda é preciso que se proceda a uma crítica dos fundamentos da prática e das técnicas, para esclarecer – O que é “energia vital” e do que é “canal energético” ou “meridiano”; Como a doutrina dos 5 elementos pode ser assimilada aos princípios científicos contemporâneos; A natureza dos fenômenos que intervêm quando se efetua uma punção Acupuntural, e da natureza dos mecanismos de ação possíveis.

As influências do progresso científico recente marcam diferentes fases da Acupuntura atual, como mostra o quadro evolutivo das últimas décadas identificando uma trajetória que progride para a integração:

1930        Energia vital
1950        Eletricidade   
1960        Gate control
1970        Neurotransmissores   
1980        Neurofisiologia da Dor
1990        Distúrbios Neurossomáticos / A Rede Neural
2000        Neuromodulação
2010        Intervenções baseadas em dados anatômicos e funcionais

Questões epistemológicas

O conceito de Qi, e sua tradução por “energia”
O que é esta “energia” que circularia eletivamente ao longo dos meridianos?
A teoria dos fluidos e dos eflúvios, como foi demonstrado há tempo, está superada, mas a ciência contemporânea oferece ferramentas conceituais e tecnológicas para o estabelecimento de novos postulados.

Quais as conseqüências fisiológicas da punção de um ponto de Acupuntura?
Alterações químicas locais? Estimulação de fibras nociceptivas? Qual é o papel do sistema nervoso e do cérebro nas respostas? Como se dão as relações entre Meridianos e funções internas? Trata-se de manipulação de um “fluido vital”, “magnético”, “energético”? Ou introdução de sinais biológicos, instrução, informação? A ação da Acupuntura se dá no componente energético ou cibernético do organismo?

Piaget explicou que sem dúvida, as razões da resistência do vitalismo estiveram sempre ligadas às insuficiências da explicação mecanicista no momento da história em que tem lugar a discussão. “A dupla função histórica do vitalismo foi pois levantar problemas, o que é excelente, mas também foi prestar-se a tapar buracos, o que já é mais discutível. Apenas, por que tapá-los com uma noção tão venturosa como a de ‘força vital’? É porque evidentemente a experiência interior fornece-nos esse modelo”.

Pode-se ainda trabalhar com o conceito de elemento, interpretado como “energia” ou como “matéria”? Quando se fala em energias patogênicas, ou “perversas”, e associamos tais entidades a fluidos, isto representa um retrocesso cultural e uma negação da ciência, uma adesão a um modelo interpretativo esotérico e obscuro.

Como resposta a essas questões, não se pode aceitar uma resposta simplista como “É verdade porque funciona”. A Acupuntura, para que possa vir a ser uma ciência do futuro, ou mesmo uma ciência de futuro, precisa superar o seu passado. Removendo do seu discurso o peso do ocultismo e do esoterismo, tomando consciência do papel das imagens e metáforas, as quais são como “uma luz fraca”, para então buscar as inferências fortes, base da Ciência como modo universal de conhecimento.

A verificação efetuada nos testes clínicos, a pesquisa das modificações induzidas no organismo pela Acupuntura,  a aproximação com a Neurofisiologia e a busca da contemporaneização dos conceitos são os meios para fundar a Acupuntura como Ciência.

Para facilitar a superação dos obstáculos no caminho da integração da Acupuntura nas práticas correntes da medicina moderna, é preciso identificar esses obstáculos e seus motivos, procedendo então a sua neutralização.

sábado, 29 de agosto de 2009

A dor desconsiderada e não-tratada


Artigo de utilidade pública:


“Procedimentos medievais”, por Drauzio Varella
na Folha de S. Paulo

Reproduzo trecho:

Antes da descoberta da anestesia, é compreensível que a medicina desse ouvidos à ideologia estúpida de valorização do sofrimento. Diante da dor, o que podia dizer o médico além de recomendar coragem, determinação e bolsa de água quente?
Mas conviver com a dor na prática diária em pleno século 21, sem fazer uso da melhor tecnologia para aliviá-la, é voltar aos tempos medievais.
........

Dispomos de analgésicos potentes e de anestésicos de ação rápida que permitem acordar o enfermo imediatamente ao final da intervenção. Se é considerado desumano o profissional que deixa de medicar uma pessoa com dor, qual a justificativa para submetermos alguém a um procedimento que irá provocá-la, sem tomarmos as devidas precauções?
........
Endoscopias, implantes de D.I.U., manipulações de pacientes traumatizados sem analgesia, o problema não é exclusivo da medicina brasileira. Biópsias de próstata sem anestesia são realizadas todos os dias em alguns dos melhores centros americanos e europeus, com a mesma justificativa: dá para suportar!

Dá para suportar quer dizer exatamente o quê? Que ninguém morre de dor? Se nossos Conselhos Regionais considerarem comportamento antiético indicar intervenções como essa a sangue frio e punirem os profissionais e as instituições que insistirem na sua realização, teremos dado um passo importante para tornar mais humana a prática da medicina, profissão que tem como finalidade aliviar o sofrimento humano.

domingo, 23 de agosto de 2009

Modelos Representativos de Doença e Cura - 1. A Representação da Doença

Os sistemas médicos se baseiam em modelos, que delimitam as possibilidades de interpretação dos fatos. Esse estabelecimento de limites é determinado por um sistema de idéias, uma ideologia, que é inseparável do momento cultural da civilização em que se desenvolveu, e pressupõe que fora desses limites, o que existe é “irracionalidade”. Esta intolerância à diversidade representa uma restrição da variedade, pode ser traduzida como redução da quantidade de informação. Assim, a adoção de um determinado paradigma pode resultar num obstáculo para os avanços em eficácia.

Por outro lado, a cultura biomédica não é isenta de representação do imaginário e do social. Todo discurso sobre a doença procede de uma opção teórica, e está subordinado, como qualquer aspecto do pensamento, à cultura, à civilização e à época em que se inscreve.

As formas elementares da doença - os modelos etiológicos.

Quando se observa os modelos etiológicos elaborados ao longo do tempo, apresentam-se duas grandes tendências:

1, As medicinas centradas na doença, cujos sistemas de representações são comandados por um modelo ontológico de natureza física;

2, As medicinas centradas no homem doente e cujos sistemas de representação são comandados por um modelo relacional que pode ser pensado em termos fisiológicos, psicológicos, cosmológicos ou sociais.

Os modelos descritos a seguir, numa forma idealizada por François Laplantine, em “A Antropologia da Doença”, são dispostos em pares de oposições, que descrevem e comparam as vertentes - ontológica X relacional, exógena X endógeno, e aditiva X subtrativa.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

As práticas integrativas e complementares

A denominação Práticas Integrativas e Complementares inclui uma lista de métodos terapêuticos que, apesar de serem eventualmente confundidos entre si como se compusessem uma unidade, são muito diferentes, como a Acupuntura, a Homeopatia e a Fitoterapia. Embora distintos em termos de fundamentos teóricos e de prática, igualam-se nos fatos de não estarem integrados no contexto médico-científico, sendo assim considerados alternativos, não-convencionais ou complementares e, portanto, como não sendo não de primeira linha.

A Acupuntura, a Homeopatia e a Fitoterapia são componentes centrais entre as práticas integrativas e complementares. Para muitos setores, ainda não está claro como funcionam, e qual a aplicabilidade clínica desses recursos terapêuticos.

Esses métodos representam uma ruptura com as concepções vigentes de saúde, doença e terapêutica. São descritas - segundo uma doutrina sociológica - como vinculados a “racionalidades médicas” diferentes, que se justificam pela longevidade, ou por pertencerem ao domínio do tradicional ou da sabedoria popular.

Mas a sua validade científica é questionada, com razão, porque as explicações e as comprovações da eficácia e da segurança no seu uso, algumas dúvidas ainda não forma devidamente esclarecidas.

Setores tradicionalistas sustentam a idéia de que algumas desses recursos terapêuticos constituem “sistemas médicos”, mais do que simples métodos terapêuticos. Mas como advertiu Claude Bernard há cerca de 150 anos, não há mais espaço para sistemas médicos, ou para “Medicina com sobrenome”, como escreveu.

Assim, a oferta das chamadas práticas integrativas e complementares no Sistema Único de Saúde também pressupõe uma convivência destas com os procedimentos convencionais, embora haja um aparente conflito entre os dois modelos,

Para compreender melhor essa constelação de questões, uma das ferramentas úteis é a análise dos diferentes modelos representativos de saúde, doença e cura que se desenvolveram historicamente.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Novos paradigmas para a atenção à saúde pública

Há algumas décadas, começou a tomar corpo um movimento propondo uma mudança de paradigmas na atenção à saúde, que contemple uma abordagem integrativa, que não se limite a considerar as partes do organismo isoladamente, e o individuo separado do contexto ambiental, social, cultural e econômico em que se insere.

Um dos principais argumentos do movimento, que surge como reação a uma perda de qualidades humanas na atenção à saúde, simultânea ao desenvolvimento tecnológico, é a crítica à superespecialização, em que o indivíduo é fragmentado em órgãos e sistemas de órgãos não conectados entre si, e que é exemplificada pela separação entre corpo e mente.

Na verdade, a idéia de corpo e mente como entidades independentes não é um produto da modernidade, estando profundamente enraizada nas culturas tradicionais. Pelo contrário, a noção de integralidade mente-corpo começa a se tornar mais clara no final do século 19, com o avanço de novas disciplinas científicas, como a psicanálise, culminando no desenvolvimento das Neurociências.

Por outro lado, de modo geral, as propostas holísticas que até recentemente se apresentaram são provenientes de tradições muito antigas, concebidas em épocas em que os critérios científicos de validade, hoje imprescindíveis, ainda não existiam. Carentes de consistência conceitual e de fundamentos biológicos, a comprovação da sua apregoada eficácia dependia somente de relatos pessoais, de registros históricos e de uma literatura que é vista por alguns setores como uma espécie de revelação. Em todos os casos, os dados disponíveis eram imprecisos e vagos quanto à aplicabilidade clínica num contexto médico-científico.

Entretanto, apesar de a validade científica ainda ser questionada por alguns meios médicos e acadêmicos, e que a sua inserção no SUS provoque algum conflito entre categorias profissionais, esses métodos vêm sendo oficializados, tanto no Brasil quanto em muitos outros países.

Deduz-se desse fato que nem todos os problemas de saúde que se apresentam ao atendimento primário são satisfatoriamente atendidos pelos métodos terapêuticos oferecidos, e que há uma demanda por melhores recursos. Se não houvessem demandas não atendidas, não se justificaria acrescentar outras terapias.

Por outro lado, para que se adotem oficialmente novos métodos terapêuticos, mesmo que seja como complementares, pressupõe-se que sejam comprovadamente eficazes e seguros, ou senão deveriam considerados experimentais.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Autoridade, Revelação e Tradição.

Autoridade, Revelação e Tradição sempre andam juntas, explica Richard Dawkins, que recomenda, especialmente aos mais jovens, estarem atentos para essas “três más razões para acreditar em algo”.

Na carta que escreveu para sua filha quando esta tinha 10 anos, disse:

“Tradição significa crenças passadas do avô para o pai, deste para o filho, e assim por diante. Ou por meio de livros passados através das gerações ao longo dos séculos. Crenças populares freqüentemente começam de quase nada; talvez alguém simplesmente as invente, como as histórias sobre Thor e Zeus. Mas depois de terem sido transmitidas por alguns séculos, o simples fato de serem tão antigas as faz parecer especiais. As pessoas acreditam em coisas simplesmente porque outras pessoas acreditaram nessas mesmas coisas ao longo dos séculos. Isso é tradição.

O problema com a tradição é que, independentemente de há quanto tempo a história tenha sido inventada, ela continua exatamente tão verdadeira ou falsa quanto a história original. Se você inventar uma história que não seja verdadeira, transmiti-la através de vários séculos não vai torná-la verdadeira!”

Em 1976, Dawkins divulgou o termo meme (de memória) para designar as unidades fundamentais de herança cultural, um análogo do gene no plano molecular. Mutação é essencial tanto para o progresso memético quanto genético.

Quando a autoridade se sustenta em tradição e revelação, perpetua os seus memes mesmo que obsoletos, porque conta com o generalizado apego ao tradicional e repúdio ao novo, quando este surge.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Do mesmerismo à hipnose contemporânea

No final do século 18, houve uma retomada da milenar prática de aplicação de eletricidade e magnetismo como agentes terapêuticos, impulsionada pelas descobertas em bioeletricidade do final dos anos 1700. Expandiu-se no século 19, enquanto se levantavam questões sobre a sua eficácia.

Expoente do uso terapêutico do magnetismo nessa época, Franz Anton Mesmer (1734-1815) cunhou a expressão “magnetismo animal”, para o método criado por ele, que ficou conhecido como “mesmerismo” A teoria pressupunha a captação do “fluido magnético celeste” (a palavra “energia” só viria a existir na década de 40 do século 19), que poderia ser obtida, por exemplo, por meio de imersão do paciente numa banheira com ácido fraco, ladeada por barras de ferro; a fricção das barras permitiria a passagem do fluido magnético para o corpo do paciente, e aí, insinuando-se na substância dos nervos, incrementaria o seu poder de ação.

Importada de http://www.robmacdougall।org/index.php/2005/01/turk-182/


Usava o seu próprio “magnetismo” para induzir estados de transe, havendo relatos de amputações de membros realizadas sob a influência do mesmerismo.

Importada de http://www.dalihouse.blogsome.com/2007/03/10/louis-the-ladies-मन


Por conta das teorias de Mesmer, os benefícios da hipnose não foram devidamente valorizados, e o método passou a ser visto com desconfiança, até que recentemente foi reabilitado como importante recurso terapêutico, fundamentado em dados da pesquisa em neurofisiologia e em estudos clínicos

Importada de http://www.pflyceum.org/91.html


Mas até hoje se vendem colchões e calçados com imãs, de efeitos nunca demonstrados.

domingo, 28 de junho de 2009

Podoposturologia na Clínica Sistema


Saiba como as técnicas da Podoposturologia podem ajudar você.

sábado, 6 de junho de 2009

Das origens históricas à especialidade médica

As origens históricas da acupuntura como método terapêutico situam-se na China de 2000 anos atrás. Foi considerada como estritamente vinculada ao contexto étnico-cultural da Antiguidade chinesa, até que os processos biológicos implicados nos efeitos terapêuticos da estimulação neural periférica começaram a ser esclarecidos, na década de 1970.

Na acupuntura tradicional chinesa, agulhas são inseridas em pontos situados em “meridianos” (canais invisíveis pelos quais circularia uma substância fluídica), com a intenção de influenciar o fluxo dessa substância hipotética. Mas os avanços científicos que elucidaram os mecanismos de ação levaram a uma redefinição da Acupuntura como especialidade médica, que atualmente é descrita em termos biológicos, como método terapêutico que utiliza técnicas neuromoduladoras.

As intervenções médicas, cujos alvos incluem ramos nervosos, eferentes neuromusculares e terminais sensoriais superficiais (na pele e no tecido subcutâneo) e profundos (nos músculos, fáscias, articulações), visam produzir mudanças funcionais de repercussão local e/ou sistêmica, com os objetivos de restaurar a normalidade fisiológica, reduzir a hiperalgesia nas condições dolorosas e prevenir a dor relacionada com procedimentos médicos. Fundamentada em dados científicos – anatômicos, fisiológicos e fisiopatológicos –, a prática da especialidade médica também evolui com os resultados das investigações clínicas.

domingo, 31 de maio de 2009

Acupuntura recomendada pelas autoridades do serviço público de saúde do Reino Unido

Diretrizes dos Serviços Nacionais de Saúde (NHS) da Grã Bretanha publicadas na semana passada recomenda que os médicos ofereçam 10 sessões de tratamento por Acupuntura por 12 semanas para os pacientes com dor lombar baixa.

Pela primeira vez, o “NICE” – Instituto Nacional de Saúde e Excelência Clínica, com base em sete estudos que testaram a eficácia e compararam a acupuntura com os tratamentos tradicionais para dor lombar baixa, incluiu a recomendação do uso do método। A instituição, cujas publicações balizam as ações do serviço público de saúde do Reino Unido, concluiu que a acupuntura é tão eficiente para a cura desse tipo de dor, pelo menos em prazo curto, quanto os métodos usados correntemente.

Considerando que 70% dos britânicos sofrem de dor lombar baixa em algum momento da vida, e que esta é a maior causa de faltas ao trabalho, deduz-se o grande alcance da iniciativa, que tem sido alvo de críticas. Alguns setores destacam o fato de que os vários tipos de procedimentos controle utilizados nos estudos clínicos – agulhamento mínimo, em pontos aleatórios, ou não-invasivos produziram resultados semelhantes, e outros alegam um custo 25% maior do que o tratamento convencional.

Já os especialistas do Grupo de Medicina Intervencionista da Dor, da Sociedade Britânica de Dor declararam na semana passada que se dirigiriam ao NICE queixando-se de que as novas diretrizes não levaram em conta as injeções espinais, que comprovadamente fornecem um bom alívio para da dor lombar baixa crônica

May 31, 2009

terça-feira, 26 de maio de 2009

Acupuntura "falsa" supera medicina comum em teste

Tratamento não-invasivo é tão bom quanto agulha real, diz estudo.

Ensaio clínico que equiparou técnica chinesa a um tipo de placebo também reprovou atendimento usual dado a pacientes de dor nas costas

A Randomized Trial Comparing Acupuncture, Simulated Acupuncture, and Usual Care for Chronic Low Back Pain

Daniel C. Cherkin, PhD; Karen J. Sherman, PhD; Andrew L. Avins, MD, MPH; Janet H. Erro, RN, MN; Laura Ichikawa, MS; William E. Barlow, PhD; Kristin Delaney, MPH; Rene Hawkes, BA; Luisa Hamilton, MD; Alice Pressman, MS; Partap S. Khalsa, DC, PhD; Richard A. Deyo, MD, MPH
Arch Intern Med/vol 169 (no. 9), May 11, 2009

O estudo que avaliou a eficácia da acupuntura para tratamento de dor nas costas concluiu que ela não consegue ser melhor do que uma forma falsa desse tratamento, na qual as pessoas são submetidas apenas a picadas superficiais em pontos aleatórios do corpo. O trabalho, porém, trouxe uma revelação surpreendente: as duas formas de acupuntura, a verdadeira e a simulada, parecem ser mais eficazes do que o "atendimento usual" que pacientes de lombalgia costumam receber.


Os resultados do teste clínico estão na edição de 11 de maio da revista "Archives of Internal Medicine", da Associação Médica Americana. Com 638 voluntários, é um dos maiores ensaios já feitos para testar se a acupuntura funciona para valer.

Para avaliar a eficácia de um remédio que vem na forma de comprimidos, o que médicos fazem é comparar seu efeito ao de um placebo -uma pílula de farinha sem nenhuma substância relevante. O problema da acupuntura é que é difícil alguém fingir que está aplicando agulhas num paciente sem que ele perceba que não está sendo espetado. Só nos últimos anos é que cientistas têm usado a acupuntura simulada -um tipo de "agulha placebo"- para isso.

No estudo, Daniel Cherkin, do Centro para Estudos da Saúde, de Seattle (EUA), e seus co-autores explicam como é essa estratégia. "Desenvolvemos uma técnica de acupuntura simulada usando um palito de dentes no tubo de suporte da agulha, que se mostrou capaz de passar por acupuntura com credibilidade em pacientes de lombalgia sem experiência de tratamento com acupuntura", escrevem Cherkin e colegas. "O acupunturista pressiona o palito gentilmente, torcendo-o um pouco para simular uma agulha de acupuntura se agarrando à pele."

Para distanciar o tratamento ainda mais da acupuntura real, os cientistas aplicaram o palito de dentes em pontos longe das regiões tidas como corretas pela acupuntura tradicional.
Ninguém percebeu a diferença e, surpresa ou não, o palito de dentes teve a mesma eficácia da agulha verdadeira. Mas susto maior veio quando os dados sobre "atendimento usual" aos pacientes entraram na conta.

Após oito semanas, 60% dos pacientes sob acupuntura real ou simulada tiveram certa melhora, mas só 39% dos outros voluntários relataram progresso. Estes últimos, porém, não passaram por nenhum "atendimento relacionado ao estudo", só pelo tratamento que o médico de cada um indicava ("em geral remédios, cuidados primários e idas à fisioterapia").

Se, por um lado, a acupuntura real não se saiu melhor do que palitos de dentes, por outro, o teste sugere que autoridades de saúde pública deem um passo atrás para saber o que o "atendimento usual" tem reservado a quem tem lombalgia.

Comentários

Os achados do estudo suscitam inevitavelmente questões sobre a natureza dos benefícios da acupuntura.

Indeciso entre efeitos fisiológicos e placebo para justificar os resultados, diz o próprio autor do estudo que "é bem possível que ambas as explicações contribuam para os benefícios observados" (para a Reuters Health).

Os responsáveis pelo estudo partiram da premissa que “a acupuntura é parte integrante da MTC”, da mesma forma como é definida oficialmente no Brasil. Em vez de se atribuir à fisiologia da estimulação neural periférica o mecanismo de ação, declaram, como a quase totalidade dos estudos clínicos em acupuntura, que “tem sido usada há mais de 2000 anos” (argumento de antiguidade, uma falácia). E explicam que “de acordo com a medicina tradicional chinesa, pontos de acupuntura específicos na pele são conectados com vias internas que conduzem energia ou qi”, e que “estimular esses pontos com uma agulha fina promove o fluxo saudável do qi”.


Assim, o que eles testaram não foram os resultados clínicos da aplicação de estímulos cutâneos em pacientes com dor lombar crônica, mas sim a veracidade do postulado tradicional chinês, da especificidade dos sítios de estimulação.


Ficou mais uma vez comprovada a falsidade desta suposição teórica da MTC, mas não ficou invalidada a eficácia, apesar de aleatória (muita aleatoriedade = pouca ciência) dos estímulos cutâneos para o alivio da dor.


É importante destacar que o controle usado no estudo foi o tratamento habitual de pacientes com dor lombar, que é ruim, como o tratamento da quase totalidade das dores em geral. Isso favorece muito a comparação com qualquer método que atue sobre o componente neural do problema, coisa que não é feita em nenhum dos modelos terapêuticos em uso corrente, seja “ocidental” ou “oriental”, “alopático” ou não.


Não focalizando o sistema nervoso, crucial em qualquer condição dolorosa e/ou disfuncional, os tratamentos farmacológicos e mesmo os fisioterápicos são pouco eficazes. Na verdade, a maior parte dos pacientes melhora apesar do tratamento, ou fica crônico, porque os tratamentos são precários – daí a dor crônica ocorrer em 20% dos indivíduos nas populações dos países mais desenvolvidos.

Acupuntura e vitiligo

Resposta à pergunta: como a Acupuntura pode ajudar pacientes com vitiligo?

Para pensar sobre a atuação dos métodos de estimulação neural periférica em casos de vitiligo é preciso considerar os mecanismos da doença e do método terapêutico.

A fisiopatologia do vitiligo, doença auto-imune - auto-inflamatória vinculada a gene que também se relaciona com outras doenças, como tireoidite, anemia perniciosa, artrite reumatóide, psoríase, lúpus, doença de Addison, surto de diabetes auto-imune, é complexa, envolvendo alteração de funções cerebrais. Pode se manifestar depois de stress severo ou prolongado, que desorganiza sistemas autorreguladores.

Portanto, o objetivo das intervenções neuromoduladoras deve ser o de modificar as condições do sistema nervoso central que subsidiam as manifestações clínicas. Sabe-se que a estimulação de fibras mielinizadas não-nociceptivas na periferia corporal promove ativações e desativações de estruturas límbicas envolvidas no controle do sistema imunitário, como efeitos inespecíficos.

Assim, os efeitos da acupuntura nesse tipo de condição não são muito previsíveis, devido à complexidade implicada. Outros recursos, como o manejo do stress, terapia cognitivo-comportamental, hipnose, e medicação no caso de depressão, podem ser decisivos. O problema é que uma vez desencadeado, o processo patológico aparentemente se torna estável, e parece que há um ponto de não-retorno.

domingo, 10 de maio de 2009

Reflexão sobre o tratamento do resfriado

As mais diferentes culturas antigas – asiáticas, africanas, européias e americanas – têm em comum uma leitura animista dos fatos da natureza. Interpretam e representam o mundo e os fenômenos, incluindo as causas das doenças e o funcionamento dos tratamentos, como sobrenaturais e mágicos. O mesmo modo de pensar a realidade subsiste atualmente, seja entre os que ainda não tiveram acesso à revolução científica, seja por apego às antigas e confortáveis explicações, que tranqüilizam porque apresentam um mundo ordenado em causalidades lineares, ignorando as contradições da complexidade.

Ao perceber que a natureza é manipulável, e dominando alguma tecnologia, em todas as culturas se desenvolveram métodos terapêuticos, explicados segundo teorias do mundo muito parecidas entre si, mesmo que produzidas em lugares muito distantes, com o objetivo de expulsar algo que invade o corpo, ou remover do corpo algo que lhe é nocivo.

O modelo representativo exógeno de causalidade mórbida é predominante nas culturas antigas. Além dos seres espirituais ou feitiços, os fatores ambientais como o clima, aos quais se atribuíam (e muitos ainda atribuem) poderes especiais, são os mais apontados como responsáveis pela gênese da doença. São combatidos magicamente, de acordo com a natureza anímica do fator patogênico, sejam totalmente abstratos ou ambientais como os ventos e miasmas.

Qi na China, Prana na Índia, Nilch’i para os nativos norte-americanos, Pneuma para os gregos, Neshuma para os hebreus, Espírito em latim, nas tradições de todos os continentes, o ar, o vento, o sopro, representam os poderes criativos, a ordenação do cosmo, e também a capacidade de desintegrar, desordenar e extinguir.

O vento e o frio são causadores do resfriado, conforme a medicina tradicional chinesa. Em contraste, o modelo médico atual integra as diversas dimensões da doença, como no caso das infecções virais das vias aéreas superiores, incluindo, além do micro-organismo patógeno, fatores psicossociais e “emocionais” (no sentido de ações do organismo em resposta às ameaças à sua estabilidade) na fisiopatologia. Faz sentido, sobretudo porque as deduções não se baseiam apenas em inferências fracas, como a opinião, a observação anedótica e a tradição, mas sim em experimentação que deixa pouca margem para dúvidas sobre a coerência dos dados.

Métodos de modulação neural periférica como o agulhamento e a eletro-neuro-estimulação são úteis para tratar as disfunções provocadas pela infecção viral das vias aéreas superiores, porque são capazes de modificar a atividade autonômica que subsidia as manifestações clínicas, contribuindo para normalizar a resposta imunitária. Para obter esses efeitos, os alvos das intervenções se encontram nos locais de acesso à rede neural periférica.

Stress e o resfriado comum

No congresso de 1997 da APA (American Psychological Association) em Chicago, Sheldon Cohen PhD relatou um estudo interessantíssimo sobre a correlação entre stress e o resfriado comum. Nesse estudo, 276 participantes saudáveis foram expostos a um de cinco vírus do resfriado comum ou solução salina. Também foi aplicada uma bateria de testes psicológicos, e ficaram em quarentena por cinco dias.


Os resultados revelaram que o risco de contrair um resfriado se relacionava com diversos fatores psicossociais. Um dos fatores mais importantes foi o número de papéis sociais íntimos desempenhados pela pessoa, tais como pais, cônjuges, amizade próxima e mais outros nove papéis. O risco de contrair um resfriado também se relacionou com stress crônico e hábitos pouco saudáveis. Os achados incluíram o seguinte:


- Indivíduos com três ou menos papéis sociais foram quatro vezes mais suscetíveis de contrair o resfriado do que as pessoas envolvidas com seis ou mais papéis.

- Indivíduos que sofreram stress por menos de um mês eram 1.2 vezes mais suscetíveis de contrair um resfriado, e essa taxa sobe para 2.2 vezes se o stress durou por mais de um mês.

- Indivíduos que relataram problemas sérios nas suas relações pessoais íntimas eram 2.5 vezes mais suscetíveis de contrair um resfriado.

- Contrair um resfriado se relaciona com funções endócrinas elevadas, um indicdor biológico de stress.


A pesquisa do Dr. Cohen foi resumida na edição de 1997 da APA, Monitor. O Dr. Cohen é co-diretor do Centro do Cérebro, Comportamento e Imunidade na Faculdade de Medicina da Universidade de Pittsburgh.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

A cura da fibromialgia

Síndrome de Fibromialgia é uma denominação precária para um conjunto de manifestações disfuncionais do organismo. Embora a partícula algia seja adequada, o nome sugere dor nas fibras musculares, que é componente, e nem sempre preponderante (embora freqüentemente seja o motivo de procura por atendimento médico), de um quadro variado de sintomas que são expressão de modificações no funcionamento do organismo.

A diversidade das apresentações, predominando para alguns a fadiga, para outros os distúrbios do sono, ou os transtornos emocionais, se deve a idiossincrasias, às características individuais. O que as unifica é a natureza disfuncional, resultante de perturbações no sistema de regulação e controle das funções do organismo – o sistema nervoso.

De um mesmo lugar cerebral se originam comandos para a regulação dos diversos setores do organismo, incluindo hormônios, o sistema nervoso autônomo, a imunidade, as variações cíclicas como sono e vigília, o humor, o apetite, a libido, os órgãos internos, a percepção da dor, a elaboração de conceitos, e também a dinâmica emocional. Reduzir tudo isso a dor nas fibras musculares prejudica a compreensão do problema, e leva a equívocos como se denominar um quadro de dor regional não-inflamatória de fibromialgia, quando se trata de dor miofascial, denominação igualmente reducionista e parcial.

A ocorrência de quadros disfuncionais mistos (não confinados a um único órgão ou sistema), que exteriorizam mudanças funcionais do sistema límbico, que podem incluir ou não a hiperalgesia generalizada e flutuante, pode ser decorrente de acúmulo de carga alostática, quer dizer, uma somação de desvios da normalidade funcional, a homeostase (ou a crase
hipocrática). Ou seja, esses quadros podem ser desencadeados pela resposta ao stress agudo intenso, ou prolongado.

A condição pode ser transitória, cessando quando o organismo retorna ao
estado de normalidade funcional depois da reação, mas pode se tornar crônica. Isso acontece quando se reúnem os fatores externos, ou os eventos da vida, a uma condição determinada geneticamente. Nesse caso, assim como em tantos outros problemas transmitidos
hereditariamente, falar de uma cura é arriscado, porque as condições para que se desenvolva, quando combinadas com outros ingredientes, estão presentes.

Mesmo assim, com os recursos já disponíveis, e com o desenvolvimento de novas tecnologias (uma das mais promissoras é a eletro-neuro-modulação profunda do sistema nervoso, para os casos mais resistentes aos tratamentos usuais), os transtornos funcionais são controláveis. As pessoas com esses distúrbios pode manter níveis bastante satisfatórios de qualidade de vida, embora não esteja isenta de recaídas quando submetida a stress suficientemente severo. Mas a isso estamos todos sujeitos.

A combinação de recursos terapêuticos, incluindo o manejo do stress (por meio de um aprendizado), medicamentos que contribuem para normalizar os circuitos neuronais afetados, remoção ou redução dos fatores perpetuantes, modulação neural periférica (fundamental) e atividades físicas, funciona muito bem.

Dois fatores são cruciais: a possibilidade de a pessoa utilizar esses recursos, e o seu engajamento no processo terapêutico. Quando se reúnem, os resultados podem ser excelentes. Talvez a rigor não se possa falar de cura, mas na prática resulta igual, com o controle satisfatório das manivfestações clinicas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Redefinindo a Especialidade Médica Acupuntura

É preciso estabelecer bem os fundamentos da Acupuntura como especialidade médica – que não pode ser definida em termos históricos e étnicos, mas sim como método de intervenção terapêutica de base neural.
Quando se estabelecem os fundamentos biológicos da Acupuntura, logo se percebe que não é possível aplicar os conceitos e as práticas injustificáveis propostos pela MTC. É um caminho longo para quem recebeu formação exclusiva em medicina chinesa, e está convencido da necessidade de preservar os seus postulados e o seu modelo de prática. Para qualquer médico que não tenha sido seduzido pela aparência da MTC, é bem mais fácil.

Uma das maiores dificuldades é o fato de em geral se considerar que o que se aprendeu de neurofisiologia e de clínica da dor e dos distúrbios funcionais na faculdade de medicina seja suficiente. Não é suficiente. É indispensável um estudo aprofundado do conhecimento existente em neurofisiologia e neuroanatomia, e em clínica da dor, incluindo as modalidades miofascial, neuropática, inflamatória, visceral, oncológica. Igual acontece em qualquer especialidade – o aprofundamento no conhecimento na área correspondente é o mínimo que se espera de qualquer especialista.

Sabe-se que os resultados terapêuticos das intervenções propostas pela Acupuntura dependem estritamente da integridade anatômica e funcional das estruturas neurais envolvidas. O fato é que aplicar agulhas ou qualquer outra modalidade de estímulo em território desnervado (seja por secção do nervo ou por bloqueio anestésico proximal) não faz nenhum efeito.

Aqui cabe uma observação: para a Acupuntura/MTC, o papel das agulhas seria “energético” – quer dizer, uma energia seria transmitida a partir do “ponto” (ensinado como sendo algo que não se enquadra na anatomia e na fisiologia). Daí, essa onda energética alcançaria algum órgão no interior do corpo, e isso corrigiria o “desequilíbrio energético” (ou Yin-Yang, ou “bloqueio do Qi”, o que resulta no mesmo tipo de conceito); a hipótese absurda exigiria um elemento transmissor de “energia” (seria do tipo eletromagnético?) e outro receptor, capaz de interpretar a mensagem...

Não faz sentido que se apliquem intervenções médicas baseadas numa teoria específica e datada, só por causa da sua antiguidade ou pela imposição dos professores, ou porque nos sentimos afetivamente ligados a ela.
Portanto, é natural que o estudo das propriedades do sistema nervoso deva estar na base da formação do médico especialista em Acupuntura. Não está, e nunca estará enquanto a MTC for considerada válida, porque ao se estudar o sistema nervoso realmente (e não superficialmente), as teorias da MTC se desfazem por si mesmas.
Os fatos biológicos não respeitam as teorias, e assim, a Acupuntura – mesmo a chinesa – é neuroestimulação, e não fornecimento ou remoção de “energias”. Quando se compreende que tudo começa pela ativação de algum terminal nervoso (seja sensorial ou motor) ou nervo (ramo, plexo ou raiz nervosa), então não se pode deixar de estudar os processos de geração, transdução e transmissão do estímulo, como as intervenções podem modificar o funcionamento do sistema nervoso, e como essas modificações resultam em efeitos terapêuticos.

Aspectos cruciais nesse estudo: a estrutura e as propriedades da membrana neuronal; a regulação do fluxo de íons através da membrana; a geração de potenciais de ação; a capacidade de cada fibra neural de manter a sua estabilidade (homeostase); as funções de comunicação intra-celular, incluindo a abertura de genes e as suas conseqüências sobre a excitabilidade da membrana; o significado das freqüências dos estímulos para cada tipo de fibra neural; a conversão dos sinais externos em sinais transmitidos pela fibra (transformações logarítmicas e exponenciais); o significado dos sinais que chegam ao corno dorsal da medula passando pelo gânglio da raiz dorsal, em termos de ativações e desativações de circuitos medulares; o que são e qual o papel desse circuitos medulares; as respostas segmentares; as conexões inter-segmentares; a ascensão do sinal a centros superiores do SNC; o papel do tronco cerebral e das estruturas subcorticais; o sistema límbico e as respostas auto-regulatórias.

Daí pode-se definir que tipos de sítios periféricos podem ser alvos das intervenções – troncos, plexos e ramos nervosos; terminais sensoriais e seus subtipos – superficiais (dérmicos, subcutâneos) e profundos (intramusculares – órgãos de Golgi, fusos neuromusculares; proprioceptores em fáscias, estruturas teno-sinoviais, cápsulas articulares, ligamentos); terminais motores (nervos motores, pontos motores neuromusculares).

Não se pode deixar de estudar aprofundadamente o significado de neuromodulação. A capacidade do SN (em todos os níveis) de modificar a sua atividade em função da estimulação recebida é crucial para entender o método terapêutico que manipula essas propriedades neurais.

Sabendo como funcionam normalmente essas estruturas e como funcionam de modo alterado, e o que se pode esperar como resultado da aplicação de cada modalidade de intervenção neuromoduladora, pode-se então partir para a prática. Aí, é preciso conhecer as vias de acesso às estruturas-alvo dos procedimentos.
Conhecendo as propriedades do SN (periférico, autonômico, central), as ferramentas de trabalho (eletroestimulação, agulhamento, anestésicos locais) e as vias de acesso, pode-se intervir eficazmente para promover a correção de transtornos dolorosos e disfuncionais.

A propósito, é impossível definir as indicações clínicas da Acupuntura sem considerar a neurobiologia das doenças tratáveis e das intervenções. Por falta dessas definições, a especialidade continua marginalizada, desacreditada e cada vez mais mal remunerada via planos de saúde.

Na prática:

Exemplo 1: para a MTC, cefaléia, como qualquer dor é simplesmente bloqueio da circulação do Qi, no caso envolvendo meridianos do estomago, ou da vesícula biliar ou da bexiga. Sem entrar nesse momento no mérito da denominação desses “canais”, e sua insólita correlação com os órgãos designados, vê-se que é uma definição extremamente precária. Considerando que as cefaléias primárias são de natureza miofascial, ou neuropática (cervicogênica – nervo occipital) ou enxaqueca (disfunção cerebral), é óbvio que a intervenção médica precisa ter como alvo as estruturas neurais envolvidas com a fisiopatologia de cada caso (freqüentemente em combinação). Assim, se o transtorno é do tipo miofascial, responde muito bem aos procedimentos que visam normalizar a anomalia neuromuscular relacionada, identificados os locais para aplicação das técnicas de acordo com a zona de dor referida (músculos trapézio, esternocleidomastóide, esplênios, suboccipitais, interapofisários na coluna cervical, por exemplo). No caso de cefaléia cervicogênica, o objetivo primário é a liberação do nervo occipital e a sua dessensibilização (outro conceito fundamental, relacionado com o de neuromodulação e neuroplasticidade). No caso da enxaqueca, reduzir a resposta ao stress (assim como no caso da síndrome miofascial) e promover dessensibilização da rede dos nervos trigêmeo e occipital.
Entretanto, segundo a teoria do Qi, dos meridianos e dos órgãos e vísceras, os alvos propostos são “pontos” do meridiano da vesícula biliar, ou do estomago ou da bexiga. Quando esses “pontos” coincidentemente se situam sobre ramos nervosos, como do nervo tibial ou do nervo mediano, e o estímulo é suficiente para gerar respostas neurais, os efeitos terapêuticos são inespecíficos, mas acabam por elevar o limiar de percepção dolorosa, indiscriminadamente (por isso os mesmos “pontos” servem para tantas condições diferentes). Mas esse é um tratamento “amador”, uma subutilização dos recursos terapêuticos.

Exemplo 2: entre muitos outros, destaco o caso de dor no ombro – segundo o método “amador”, são aplicadas agulhas em locais que aparentemente fazem sentido, mas que são precários e pouco eficazes, como o método chamado “punho-tornozelo”, explicável pela END (estimulação nociceptiva difusa), mas não por mecanismos relacionados com o caso específico, não sendo o mais indicado, tanto por ser desvinculado da realidade clínica do caso, quanto por ser fracamente eficaz (lembrar que na maior parte dos casos, as condições clínicas são auto-limitadas).
É impossível uma abordagem médica do ombro doloroso sem um diagnóstico preciso da condição. Questões cruciais precisam ser colocadas:
- Há um problema estrutural das articulações gleno-umeral ou acrômio-clavicular? Nesse caso, qual é a melhor conduta?
- Há limitação da amplitude do movimento sem alteração estrutural (define-se transtorno miofascial)? Nesse caso, é preciso identificar quais os músculos envolvidos, o que se consegue por meio do exame clínico.
Qual é o melhor tratamento? Aplicar agulha na perna por causa do meridiano do estomago, ou na mão por causa do meridiano do intestino grosso? Ou, tendo identificado os músculos envolvidos, tratar de restaurar a sua normalidade funcional? Os músculos do manguito rotador, mais o deltóide, o redondo maior, eventualmente o grande dorsal, o tríceps, o bíceps braquial, o coraco-braquial, o subclavicular, o levantador da escápula, o trapézio, os rombóides, os serráteis, podem estar envolvidos.
Para cada um desses músculos, há um acesso anatômico, podendo-se optar por agir sobre os nervos que os comandam, as zonas motoras de cada um, as zonas de transição músculo-tendínea, e as bandas tensas no seu interior. Nada disso está descrito na MTC, que apela somente para a END e para os mecanismos segmentares de analgesia, mas sem tomar conhecimento do que acontece em conseqüência da punção de qualquer local.

Exemplo 3: dor lombar baixa. Sem diagnóstico e identificação dos problemas biomecânicos envolvidos, e da neuroanatomia, qualquer intervenção é empírica e os resultados meramente casuais, e não propositais. Mas mesmo os casos de radiculopatia aguda podem ser tratados com base anatômica e fisiológica, com resultados muito importantes, muito melhores do que os corticóides, os antiinflamatórios não-hormonais, e agulhamento do meridiano da bexiga ou da vesícula biliar. Em alguns locais, pontos dos mapas antigos podem coincidir com um nervo importante para o caso, mas sem considerar que se trata de um nervo, como escolher o tipo de intervenção mais eficaz, e é preciso considerar que a dor no trajeto nervoso é conseqüência e não causa do problema?

Exemplo 4: O tratamento de distúrbios funcionais, dolorosos ou não, como as disfunções vesicais. O ponto “BP6” serve para todos os tipos, independente de serem classificados como “frio”, “calor” ou “umidade”, simplesmente porque o local dá acesso ao nervo tibial posterior. Mas sem saber que o alvo é o nervo, a punção com agulha pode não ser dirigida para essa estrutura, ou a técnica pode não ser a mais correta. De qualquer modo, mais eficazes são as intervenções que têm como alvo os nervos que comandam a bexiga e dão a sensibilidade externa, que são os sacrais intra-foraminais, o genitofemoral e o pudendo.

Assim, a relevância e a validade dos conceitos de Qi, meridianos e a teoria de órgãos e vísceras estão evidentemente superadas, e não há razão para que sejam preservadas, a não ser no capítulo “História da Acupuntura”.
A indefensabilidade da validade da MTC não contraria o seu valor histórico, como escreveram recentemente autoridades chinesas da área da Acupuntura – foi útil para trazer até os dias atuais a possibilidade de se desenvolver métodos terapêuticos que utilizam o sistema nervoso periférico como alvo das intervenções, mas que “hoje são como o gargalo da garrafa, impedindo o progresso da Acupuntura”.
A incompatibilidade entre os dois modelos é radical. Não se pode, e não há quem o faça, negar a realidade da modulação neural. Também não se pode pretender que exista uma anatomia e uma fisiologia alternativa, mesmo que tenham sido propostas por veneráveis médicos chineses da antiguidade, em textos que são sacralizados.

Enfim, sendo impossível uma “atualização” da MTC, e considerando que o conhecimento da neurobiologia a torna irrelevante, a inserção dos princípios biológicos nos cursos que seguem o programa oficial determinado pela entidade representativa da especialidade não pode ser permitida sem abalar seriamente os alicerces do programa de ensino.

Exemplos de problemas na tentativa de atualizar ou traduzir ou re-significar conceitos da MTC:
1. Qi. Traduzir sem conhecer bem as duas línguas é sempre problemático. Na língua chinesa existe tradução para “impulso nervoso”, mas a palavra não é Qi; Qi se refere genericamente às virtudes de qualquer coisa – o Qi do céu é o clima, o Qi da mão pode representar a sorte ou o azar no jogo. Genérico demais. Por outro lado, qual seria a utilidade de se traduzir impulso nervoso por Qi? O excesso de generalidade não dá conta da complexidade envolvida com “impulso nervoso”, que contém aspectos como modulação, inibição, diferentes fibras nervosas envolvidas e suas propriedades particulares.

2. Meridianos como nervos. A história dos meridianos não é contada, mas os fatos são interessantes. O registro mais antigo (segundo arqueólogos chineses) é de 100 depois de Cristo, e eram 11. Os meridianos serviam para orientar as sangrias. Em 1935 um médico chinês afirmou que a Acupuntura funciona porque estimulam-se nervos, e fez mapas correlacionando nervos com meridianos. Sabendo dos nervos, para quê serviriam os meridianos? Só para confundir! As falhas vão desde as mais grosseiras, como não seguir os trajetos dos nervos (impossível na época, sem anatomia), não indicar os lugares mais importantes e as técnicas para acesso dos nervos mais importantes (mediano, ulnar, radial, femoral, ciático, tibial), nem os pontos motores dos músculos. Os pontos dos meridianos são na maioria lugares dolorosos à pressão, provavelmente os pacientes com fibromialgia foram modelos para o mapeamento. Os mapas falham também ao conter locais irrelevantes, não relacionados com nervos os terminais importantes, e ao não indicar nenhum lugar em regiões tão importantes quanto a parte posterior do pescoço.

3. As variações de temperatura e de percepção de calor e frio. Quando se trata de infecções, sejam virais ou bacterianas, podem ocorrer em etapas do processo, e dependem da reação imunitária do paciente. De qualquer modo, doenças infecciosas não fazem parte das condições tratáveis por Acupuntura, embora possa-se reduzir o desconforto dos sintomas, como no caso da gripe, atuando sobre as respostas autonômicas, ou estimulando as capacidades de imunidade.
Frio e calor dizem muita coisa no exame clínico, mas nada que seja compreensível pela MTC. Exemplo: na dor neuropática tipo causalgia, o território servido pelo nervo tende a ficar frio, enquanto o calor indica presença de inflamação por trauma (tecidual ou não: a inflamação neurogênica é vasodilatadora mas não tanto quanto a intermediada por prostaglandinas). Os pacientes com fibromialgia ou hipotiroidismo tendem a tolerar menos as variações de temperatura, mas isso não se deve a invasão de energia perversa ou de agentes patogênicos, mas revela disfunções neuroendócrinas, cujo tratamento é bem diferente de “remover o frio” ou “tonificar o Yang do Rim”. De qualquer modo, como se pode acreditar na validade das prescrições de agulhamento de pontos com base nesses diagnósticos chineses? Porque locais diferentes do mesmo nervo, ou de nervos quaisquer, produzem efeitos tão extravagantes, como “remover o vento” ou a “umidade”?

Sabe-se que não há nenhuma evidência dessa especificidade, e que pelo contrário, condições mais estudadas, como as síndromes de náusea e vômito, uma grande variedade de “pontos”, variando entre ramos do plexo cervical, do nervo trigêmeo, do mediano e do tibial produz o mesmo efeito.
Uma analogia pode ajudar a compreender o problema: não dá para “atualizar” a teoria criacionista, e combiná-la com a teoria da evolução das espécies. Os fatos são claros, mas mesmo assim uma corrente reacionária ainda tenta, especialmente nos EUA, eliminar a teoria da evolução das escolas.
A invalidação do criacionismo por fatos comprovados e repetidamente comprováveis é um grande problema para os seus defensores, que são ligados a igrejas. Igrejas têm interesses diversos, que incluem poder e finanças, e entre esses interesses não se encontra o apego pela verdade, e nem o benefício coletivo, a não ser o do próprio clero.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

O Globo Repórter de hoje

É boa a divulgação da existência de métodos terapêuticos não-farmacológicos, que podem ser tão úteis, não somente como complemento, mas como o tratamento principal de um grande número de condições clínicas.

O que não é bom, na verdade constrangedor, é que a acupuntura feita por médicos ainda seja descrita em termos “energéticos”, extraídos e adaptados de antigos livros orientais, ou elucubrados por novos e “criativos” inventores de teorias – em ambos os casos – extravagantes, inverossímeis, baseadas em construções mentais auto-explicativas.

Seria extremamente mais adequado descrever o organismo em bases científicas (quer dizer, dados exaustivamente verificados e teorias refutáveis), que fornecem, além das idéias de complexidade, de organização, de auto-regulação, a de fluxo de informação numa rede de comunicação holisticamente integrada.

Mas a acupuntura segue aprisionada no campo – não “energético”, mas sim informacional – do Misticismo da Nova Era, e da MTC, elevada por decreto ao status de ciência, emblema da Verdade Suprema para muitos seguidores. Como no caso do círculo de giz, a saída é óbvia, menos para quem esta no seu interior.

A opção por fundamentos insólitos condena a acupuntura a permanecer à margem do sistema de atenção à saúde, preservando-se (propositadamente?) como alternativa ou complementar em vez de regular e normal.

Entretanto, a adoção ampla, incluindo a prática hospitalar, da contemporânea Acupuntura Neural, método terapêutico que se caracteriza pela individualização, que compreende o ser humano nas suas diversas dimensões, e que ao mesmo tempo implica no emprego de técnicas precisas e eficazes, seria, isso sim, inovadora. Representaria um impacto positivo, uma renovação da terapêutica da dor e dos distúrbios funcionais.

domingo, 16 de novembro de 2008

Tratamento por acupuntura é eficaz para a prevenção das crises de enxaqueca

Pesquisa conduzida pela Dra. Jerusa Alecrim-Andrade no Hospital Universitário da Unicamp (SP - Brasil), revela que o tratamento por acupuntura é eficaz para a prevenção das crises de enxaqueca, e que a escolha dos locais para as intervenções e as técnicas prescritas pela medicina tradicional chinesa não é relevante para os efeitos.

Acupuncture in Migraine Prevention (seguir o link)

sábado, 25 de outubro de 2008

Prevenção da Dor Crônica - Chronic Pain Prophylaxis

A prevenção da cronificação deve ser o principal objetivo das medidas preventivas, visando evitar o estabelecimento ou a agravação da dor músculo-esquelética crônica, através do controle dos fatores perpetuantes da condição, que podem ser:

- Estruturais - trauma continuado ou esforços repetitivos, distúrbios posturais;

- Psíquicos - reação ao stress, depressão, perturbações emocionais, distúrbios do sono;

- Sistêmicos - distúrbios metabólicos (deficiência de ferro e ácido fólico), endócrinos (deficiência de somatotrofina, hipotiroidismo), tóxicos, inflamatórios, infecciosos.

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To prevent chronification must be the main objective of prophylactic procedures, aiming to avoid the development or worsening of chronic musculoskeletal pain, by means of controling perpetuating factors, which can be:

- Structural - continuing trauma or repetitive strain, postural disorders.

- Psychic - stress response, depression, emotional disorders, sleep disorders.

- Systemic - metabolic disorders (iron and folic acid deficiency), endocrine (somatotrophin peficiency, hypothyroidism), toxic, inflammatory, infectious.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Pacientes em tratamento para câncer de mama encontram alívio com Acupuntura

Ondas de calor, náusea e fadiga são somente alguns dos efeitos adversos debilitantes associados ao tratamento de câncer mamário. Agora, mais um estudo demonstra que a Acupuntura pode aliviar esses